Usando o maior clichê conhecido, "ser mãe é padecer no paraiso", vou logo dizendo que ser mãe é um pouco isso e muito de muita coisa.
Ser mãe pode ser apenas um acidente de percurso. E quando se tem nos braços aquele ser que saiu de nossa entranha, aí vem o amor.
Ele não precisa vir junto com o anúncio da gravidez. Isso é lenda.
Nenhuma mulher se traveste de Maria só porque trouxe alguém à luz.
Há mães e Mães, verdade seja dita.
Parir é fácil, ainda que doloroso.
Mas é um ato.
Não é preciso parir um ser para amá-lo.
Por isso muita "mãe do coração" é muito mais Mãe que a "mãe da barriga".
Por isso muita "mãe do coração" é muito mais Mãe que a "mãe da barriga".
Como filha, reverencio a minha mãe.
Que nunca foi santa só porque teve 10 filhos.
Talvez tenha sido mais mãe da neta, que criou como filha, a número 11, do que de alguns filhos.
Reverencio minha mãe por mim mesma. Por me ter tido, a terceira da imensa prole.
Minha mãe se encaixa em muitos modelos de Mãe.
Minha mãe se encaixa em muitos modelos de Mãe.
Foi, antes de tudo, uma guerreira, uma companheira de vida a quem amo de paixão, e a quem nunca falei do meu amor.
Porque ela mesma nunca verbalizou, mas como sabemos que fomos amados!
Fomos amados nos xingamentos dela, pois só queria nos preservar;
fomos amados na deliciosa comida que sempre colocou na mesa;
fomos amados em todos os cuidados que teve conosco, mesmo intrínsecos ao papel de mãe, pois que filho nenhum pediu pra vir ao mundo;
fomos amados na casa construida com sacrifício e quase perdida, pela qual ela lutou com unhas e dentes, mesmo diante do desânimo do meu pai, que se deu por vencido e queria entregar a casa, derrotado;
fomos amados em cada minuto da vida dela, com certeza.
E porque ela é mãe todos os dias, não gosto de dedicar nada a ela, especialmente num dia estabelecido.
E eu, como mãe, também me encaixo em todos os clichês.
Não gosto de ganhar presente por ser dia das mães. Gosto de ter meus filhos à volta, o que não tem sido possível, pois uma mora em outro estado.
Como mãe, não sei o que diriam de mim.
Certamente que fui uma boa mãe, com todas as chatices inerentes a uma.
Sou mãe que fala o que pensa;
que não paparica;
que nunca levou café na cama;
que nunca serviu a um filho em frente à TV;
que não fazia comida especial porque um gostava assim e outro assado, mas também nunca obrigou a comer jiló, quiabo, moranga, chicória, ora-pro-nobis, nada de que ela não gostasse. Mas colocava na mesa, oferecia, colocava no próprio prato, só pra ver que era "comível";
Fui mãe de palmadas, sim, muitas, dentes cerrados, olhos fuzilantes, beliscões, ameaças, exigências, mas nunca de palavrões, surras, castigos ridículos;
sou mãe de xingar, ainda, de tentar comandar, ainda, de querê-los na barra da minha saia, ainda;
mas nada exijo, não há chantagem emocional, quero que estejam bem onde estiverem mesmo que seja distante de mim;
sou mãe da nora, mãe do genro, no meu coração;
sou mãe/avó, ajudo a educar, sem autoritarismo, com ternura, que avó é mãe com mel.
Pra mim, que sou uma mãe certamente nota 10, um domingo de paz, amor e abraços apertados.
Se a gente pudesse medir amor, o meu seria o maior do mundo.
Igual ao seu? Quer apostar que não? rsrsrs
Para nós, mães de verdade, para quem a vida tem mais cor, mais brilho, mais sol, mais calor quando eles estão por perto, um feliz domingo!
Os sóis da minha praia; as razões do meu afeto; as luzes dos meus olhos; as alegrias da minha vida; os pais dos meus netos.Meus filhos amados. Renata, Erick e Fabiana.




